Quase todos os dias recebo perguntas de pessoas querendo entender melhor a carcinomatose peritoneal.
Aqui vou explicar, de forma simples e clara, um conceito básico que pode ajudar você a compreender se a quantidade de carcinomatose peritoneal faz diferença no tratamento.
Toda pessoa que recebe o diagnóstico de uma doença peritoneal costuma fazer a mesma pergunta:
— “Mas é muito ou pouco?”
Uma maneira que os médicos encontraram de medir a extensão da carcinomatose peritoneal é o índice de Carcinomatose Peritoneal (PCI – Peritoneal Carcinomatosis Index).
O PCI é a métrica que nos permite quantificar o volume de doença presente no peritônio.¹²³⁴
Porque o PCI é Tão Importante?
O PCI tem se mostrado um fator prognóstico independente associado à sobrevida. Ou seja, quanto menor o PCI, melhores são os resultados de sobrevida observados nas séries de casos estudadas.⁵

Impacto do índice de Carcinomatose Peritoneal na sobrevida global de pacientes selecionados submetidos a Peritonectomia + HIPEC por metastáse de Câncer Colorretal (P < 0.001). 6
Além disso, o PCI prediz a probabilidade de sucesso na citorredução completa. Pacientes com PCI baixo apresentam maior chance de ressecção completa de todos os nódulos visíveis.
Como O PCI É Calculado?
O PCI foi originalmente criado para ser calculado durante as peritonectomias, mas atualmente existem outras formas de estimá-lo, como exames de imagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética) ou por meio da videolaparoscopia.
A variabilidade costuma ser pequena, mas é importante lembrar que a tomografia e a ressonância conseguem detectar apenas nódulos maiores que 0,5 cm.
Portanto, nódulos menores podem passar despercebidos.
O cálculo é relativamente simples: o abdome é dividido em 13 regiões, e cada uma recebe uma pontuação de 0 a 3, de acordo com o tamanho dos nódulos encontrados.

Como faço para saber qual é o meu PCI?
A melhor forma é ser avaliado por um médico com experiência em doenças peritoneais.
São necessários muitos anos de estudo para compreender o comportamento da doença e prever sua evolução.
Se este assunto chamou a sua atenção e eu puder ajudar, entre em contato conosco.
Grande abraço!
1Rajeev R, Klooster B, Turaga KK. Impact of surgical volume of centers on postoperative outcomes from cytoreductive surgery and hyperthermic intra-peritoneal chemoperfusion. J Gastrointest Oncol 2016; 7:122-8.
2Cavaliere F, De Simone M, Virzi S, et al. Prognostic factors and oncologic outcome in 146 patients with colorectal peritoneal carcinomatosis treated with cytoreductive surgery combined with hyperthermic intraperitoneal chemotherapy: Italian multicenter study S.I.T.I.L.O. Eur J Surg Oncol 2011; 37:148-54.
3Glehen O, Gilly FN, Boutitie F, et al. French Surgical Association. Toward curative treatment of peritoneal carcinomatosis from nonovarian origin by cytoreductive surgery combined with perioperative intraperitoneal chemotherapy: a multi-institutional study of 1,290 patients. Cancer 2010; 116:5608-18.
4Glehen O, Kwiatkowski F, Sugarbaker PH, et al. Cytoreductive surgery combined with perioperative intraperitoneal chemotherapy for the management of peritoneal carcinomatosis from colorectal cancer: a multi-institutional study. J Clin Oncol 2004; 22:3284-92.
5Narasimhan V, Pham T, Warrier S, et al. Outcomes from cytoreduction and hyperthermic intraperitoneal chemotherapy for appendiceal epithelial neoplasms. ANZ J Surg 2019; 89:1035-40.
6Sugarbaker, Paul H., Hindawi Publishing Corporation, Gastroenterology Research and Practice, Volume 2012, Article ID 309417, 9 pages, doi:10.1155/2012/309417